Sirimiri - Um chuvisco de ideias -

07.01.17

Must-follow: 5 feeds do insta super coloridos

Ano novo é sempre aquela velha história: inventamos um monte de metas e projetos para mergulhar de cabeça durante os próximos 12 meses. Eu mesma, por exemplo, estou (tentando) fazendo o projeto das 365 fotos no ano. Isso significa que tenho que tirar e postar pelo menos uma foto por dia.

Estou fazendo mais para treinar o meu olhar fotográfico que costumava ser bom, modéstia a parte, e para documentar nem que seja só uma partezinha dos meus dias. É incrível chegar no fim do ano, ou talvez até num futuro mais distante e ver como sua vida costumava ser e como ela mudou desde então. Por isso que fotografia é essa coisa mágica que você respeita.

Por isso, hoje trago pra vocês 5 perfis lindos e ultra-coloridos para você seguir e se inspirar praquele projeto fotográfico que você está querendo aderir (lembrando que não precisa ser dia 01 de janeiro para começar um projeto novo; todo dia é dia) ou até mesmo para alegrar um dia ruim ou simplesmente porque é bonito.

@thecolorshift
Uma curadoria incrível do que tem de mais colorido no Instagram. Apesar de ter colocado acima só fotos minimalistas, o perfil conta com imagens de tudo um pouco. A única regra aqui é: tem que ter (muita) cor. Além disso, eles sempre taggeiam os artistas de cada uma das fotos, assim a gente pode seguir ainda mais perfis para se inspirar.

@catherinejkim
Ela é a rainha suprema do @thecolorshift. A cada 10 fotos, 5 são delas. É óbvio que essa é uma estatística que eu mesma inventei agora, mas olhando as fotos para escolher algumas do perfil anterior para por aqui, notei que pelo menos 3 das 5 que abri na primeira vez eram dela. A designer baseada em NY faz fotografias também para marcas famosas, como a Miu Miu, sua última parceria.

 

@jessicavwalsh
O perfil diretora de arte Jessica Walsh também é um must-follow para quem ama o combo cores + surrealismo. A curadoria da designer de fotos ultra coloridas, em ângulos geométricos com uma pitadinha da vanguarda artística surrealista é de babar. Assim como o primeiro, @thecolorshift, Jessica também taggeia os artistas em suas postagens. Vale o follow!

 

@paulfuentes_design
O perfil de Paul Fuentes é esse misto de pop art com surrealimo que a gente a-m-a. Artes super coloridas e divertidas são a especialidade do designer mexicano. Eu, particularmente, amo perfis com essas cores chapadas atrás do assunto principal.

@crushingonpink
Mas se você curte mesmo a cor rosa, vai amar esse perfil. O Crushing On Pink é um feed com única e exclusivamente fotos rosas. Pra mim, foi amor a primeira vista. Com fotos fofas e cheias de personalidade, esse é com certeza um dos meus seguidos mais amados.


01.01.17

Sobre se perder e se encontrar

2016 foi um ano e tanto. Pra uns, maravilhoso. Pra outros, horrível. No meu caso, posso dizer que fico no grupo dos que ainda não se decidiram. Ou melhor, no grupo dos que estão em cima do muro: nem muito pra lá, nem muito pra cá.

Falar que foi fácil… isso sim é mentira. Passamos por poucas e boas.

Por aqui, as promessas e metas de começo de ano se perderam na imensidão de dias ruins pelos quais passei em pelo menos metade de 2016. As crises de ansiedade constantes, resultado do ambiente tóxico em que trabalhava, tornavam tudo excessivamente difícil. Os dias se arrastavam, o brilho sumia do olhar e a sensação de estar perdida na vida era sufocante e quase desesperadora. Me pegava noites a fio chorando ou procurando maneiras de encontrar aquilo que eu sabia que só acharia se me livrasse de uma vez por todas dessa parte ruim da rotina.

2016 me exigiu mudanças. Assim como para muitas outras coisas, a falta de coragem me impedia de mudar. Nunca gostei delas e até hoje fico nervosa com a possibilidade de sair da zona de conforto. Foi preciso um empurrãozinho. Um empurrãozão.

Em 2016 eu fui ao inferno e ao céu. Em 2016 me perdi e me encontrei. E no fim das contas, não posso dizer que saio dele sem levar nada. Vivi intensamente. Para o bem e para o mal.

Então, nesse último dia, 31 de dezembro de 2016, Aqui fica o meu registro da conclusão de um ano que me tirou da zona de conforto. Me fez mudar. Me fez amadurecer e aceitar que algumas coisas não cabem a nós mudar. Que algumas pessoas são do jeito que são e nunca vão mudar. Que algumas fases terão que ser enfrentadas de cabeça no lugar e amor no coração, porque não, não é fácil, mas, sim, é preciso.

No fim, tudo se encaixa. Tudo dá certo. E que venha 2017.


15.09.16

Precisamos falar sobre a Delpozo

Há algumas temporadas, a grife espanhola Delpozo buscou se reinventar e desde então vem apostando em shapes arquitetônicos e cores doces para conquistar um novo mercado. E dessa história só podemos tirar uma moral: em terra de padrãozinho, quem se diferencia é rei. 

Gostar de moda ultimamente não tem sido fácil. Pior ainda para aqueles que, não só gostam, mas também querem escrever sobre. O mercado instável, a dança das cadeiras nas grandes labels, sem contar com as coleções e mais coleções todas iguais, com os mesmos shapes, os mesmos materiais, as mesmas inspirações, as mesmas cores, têm tornado a arte do jornalismo de moda cada vez mais difícil. Talvez até pelo fato de que a maioria dessas grandes marcas usem o mesmo bureau de tendências na hora de pensar suas coleções, mas isso é assunto para outro texto.

O fato é que está cada vez mais difícil encontrar uma boa pauta em fashion weeks. Uma pauta que questione, uma pauta que faça real sentido e que seja mais do que aquelas café-com-leite sobre tendências e cores da estação. Porque, sejamos sinceros, todas as temporadas quase sempre se repetem.

O máximo que acontece aqui e ali é um desfile que dá muito errado, como o da Yeezy (e coloca errado nisso), ou um que dá muito certo, como é o caso da Fendi em seu desfile de comemoração de 90 anos. No mais, tudo sempre igual. Talvez seja o medo de errar ou de causar um efeito descabido, porque a gente conhece bem a mídia que temos. E nem estou falando da moda como veículo de protesto político, não é isso. Porque não precisa ser. Pode ser só bonito. Ou feio. Ou estranho. Pode ser diferente. Mas não precisa ser sempre igual.

E nesse mar de padrãozinho noventinha e setentinha que andam as passarelas, algumas marcas surgem como uma brisa fresca para aliviar a gente dessa onda de mais-do-mesmo que temos visto por aí. Esse é o caso da Delpozo, que ganhou o coração dessa que vos fala há algumas temporadas não só pela cartela de cores um tanto quanto diferente e vibrante, mas, principalmente, pelas silhuetas geométricas e volumosas.

Coisa que, aliás, virou identidade da marca desde que Joseph Font assumiu a direção da marca, em 2012. Contratado com a missão de reviver a grife espanhola e transformá-la numa marca de luxo internacional, Font levou tudo que lhe foi dito ao pé da letra. O designer, que é formado em arquitetura e design de moda na Espanha, começou sua carreira em Paris com a sua própria marca, com a qual chegou a desfilar prêt-à-porter e couture.

Ao assumir a direção da grife logo após a morte de seu fundador, Jesús del Pozo, Font trouxe o frescor que a marca, que conta com um legado de 40 anos, estava precisando. O primeiro passo foi mudar a sede da label para Madrid, e o segundo levar os desfiles para o NYFW, trazendo suas criações, chamadas por muitos de prêt-à-couture, para os holofotes da Big Apple, projetando-as para o mundo.

E não é para menos. A feminilidade e delicadeza das suas peças, combinadas aos shapes arquitetônicos são se fazer o coração da maioria das mulheres bater mais forte. E engana-se quem pensa que as silhuetas geométricas compõe um visual pesado e duro. Muito pelo contrário, apesar das linhas retas e cortes estruturados, tudo ali parece muito leve e quase-quase etéreo.

É óbvio, então, que seu último desfile para o NYFW, com a coleção Spring 2017 RTW, não poderia ser diferente. Tudo ali era brilhante, em todos os sentidos. Desde os jacquards florais metalizados, até o acabamento das peças perfeitamente cortadas, ajustadas e drapeadas.

Font sabe exatamente como pegar uma tendência e usá-la a sua melhor maneira, explorando novas formas e acabamentos para dar àquela peça um novo valor e sair do lugar comum. Belíssimos exemplos disso, são os cropped tops que exploram volumes em lugares inesperados. Coloque na lista também peças com decotes ombro a ombro sobrepostas à belíssimas camisas de alfaiataria.

Ah, mas você quer peças inusitadas? Então que tal as pantalonas super oversized, que mais parecem com saias rodadas? Ou então, uma blusa toda feita com detalhes em dourado que, além de ter seu decorado ombro-a-ombro, ainda fecha na frente com um maxi-laço? Vale a pena destacar também a presença desse novo corte de bermudas, logo acima do joelho que pouco se viu nos últimos tempos.

E acessórios. Precisamos falar sobre acessórios. Nos pés, flats de bico fino de amarrar metalizadas, ora finalizadas com aplicações florais, ora não. Nas mão, mini bolsas em um material semitransparente e holográfico. E, para finalizar, belíssimos earcuffs que mais pareciam fazer parte da roupa em si. Uma cascata de flores brilhantes, em sua maioria, tão longa que ultrapassava a linha das clavículas até chegar a altura do seio. Desejo imediato.

Um desfile com peças tão singulares que é quase impossível descrevê-lo num único texto. Peças tão únicas, com tecidos e acabamentos tão diferentes que merecem mais do que descrição: merecem apreciação. Confira abaixo o vídeo da apresentação (clique em “Watch again” e avance para 25min).

 

 

Por definição, a moda não pode ser considerada uma arte. Por isso, por essa impossibilidade de chamar a obra de Joseph Font de arte, encontrei outra categoria para classificá-la. A delicadeza das suas criações e seu poder de encantar são algo que poderiam ser facilmente chamados de conto de fadas.

A Delpozo é, sem sombra de dúvida, a brand-to-watch das próximas temporadas.


22.07.16

A incrível campanha AW16 da Dolce&Gabbana

Eu sou apaixonada por comunicação. E quando digo isso, não estou falando só dos textos, não, mas sim de tudo aquilo que o acompanha e que o torna mais palpável. Pode ser vídeo, pode ser áudio, mas, pessoalmente, amo a imagem (não é à toa que sou formada em design gráfico). Mas se tem uma coisa que realmente me encanta e faz meus olhos brilharem é a fotografia e a forma como ela pode contar uma história inteira em apenas um singelo disparar de obturador. Pra mim, mágico mesmo é o fotógrafo que sabe exatamente como narrar uma boa história num frame de pouco mais de 10 megapixels.

Por isso, quando Domenico Dolce e Stefano Gabbana apresentaram sua campanha de AW16, fotografada por Franco Pagetti, eu não poderia ficar mais surpresa. Quero dizer, o que aconteceu com as campanhas clicadas pelo próprio Domenico, ou até por Mario Testino? Bem, parece que ficaram no passado, pois o eleito da vez é principalmente conhecido pelas suas fotografia de zonas de guerra, como Iraque, Afeganistão e Palestina.

A primeira vista, Franco achou que Domenico Dolce havia se confundindo, mas sua habilidade e atitude foram o que chamaram atenção do estilista. O briefing para campanha era simples. Apenas “uma simples reportagem das nossas roupas em Nápoles”.

O resultado é absolutamente inspirador. O contraste das roupas de sonhos e da realidade dos cidadãos de uma cidade tradicional como Nápoles é de tirar o fôlego.

Franco contou ao Telegraph (Junho de 2016) que estipulou algumas condições para que fotografasse a campanha: “Em Bagdá e na Líbia, eu ando por aí clicando minhas próprias fotografias. Eu não tenho um monte de gente me cercando. Eu quero estar sozinho com a minha história e pessoas em frente a minha câmera. Mais que os modelos, as pessoas de Nápoles devem estrelar a campanha”.

E foi exatamente isso que ele fez. Pela primeira vez numa campanha de uma marca de moda, outras marcas aparecem nas fotografias. Franco dirigiu os modelos de forma em que não houvesse poses ou posições artificiais, mas que procurassem se divertir e se misturar com os ambiente, formando efetivamente uma história.

Ainda em entrevista ao Telegraph, Pagetti conta: “Para mim não há diferença. Não gosto de ser chamado de fotógrafo de guerra. Sou um fotógrafo porque gosto de histórias, gosto de pessoas. Para mim, fotografas essas roupas lindas no meio de Nápoles era uma história incrível.” Sobre a direção da campanha, ainda diz: “Todo mundo consegue fotografar em um estúdio. As pessoas querem realidade. Encoragei os modelos a mostrarem suas almas porque as pessoas estão cansadas de verem editoriais irreais”.

Uma campanha cool e fresh que trás a tona o que realmente falta para o mercado de luxo: um pezinho na sonho e outro na realidade e nas pessoas reais que andam e existem por aí mundo afora.

 

Fotos: models.com/Reprodução